O e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 16,9% sobre o mesmo período do ano anterior. O detalhe que interessa a qualquer empresa que vende online não é o crescimento em si, é a origem dele: mais pedidos, não tíquetes maiores. Isso muda a conta de quem faz marketing.
Os números do primeiro semestre e o dado que passou batido
O levantamento “Da Compra à Confiança: panorama do e-commerce brasileiro no primeiro semestre de 2026” foi conduzido pela Confi, com dados da Neotrust e da Aftersale, em parceria com a Meio & Mensagem. O estudo analisou transações de mais de 7 mil lojas e o comportamento de mais de 85 milhões de consumidores digitais.
Os números principais: 756,7 milhões de pedidos no semestre, alta de 34,8%. O tíquete médio, porém, caiu 13,3%, para R$ 275,50, e a quantidade de itens por pedido recuou 12,4%, para 1,97. Ou seja: o brasileiro comprou mais vezes, com carrinhos menores.
Por categoria, saúde liderou o crescimento, com alta de 45,8% no faturamento, puxada por canetas emagrecedoras, que somaram R$ 6,1 bilhões e cresceram 213%. Casa e construção avançou 26,9% e esporte e lazer saltou 139,3%, com a camisa da seleção brasileira passando de 5,1% para 48,7% de participação nas vendas de vestuário esportivo. Maio foi o melhor mês, com R$ 38 bilhões faturados, e o pico do semestre aconteceu no dia 5, coincidindo Dia das Mães com uma data promocional: R$ 1,88 bilhão faturado em 24 horas.
Para o segundo semestre, a Confi projeta R$ 254 bilhões, 20% acima do mesmo período de 2025, fechando o ano em R$ 462,5 bilhões, alta de 18,6%. Bruno Pati, CEO do E-commerce Brasil, resumiu o recado do estudo: “a vantagem competitiva deixa de estar apenas na aquisição de clientes”, atribuída à jornada completa de compra.
Tíquete médio ou frequência de recompra: qual métrica conta a verdade
A maioria das pequenas e médias empresas que vende online ainda mede sucesso de marketing por dois números: quantos visitantes chegaram e quanto cada um gastou. O estudo da Confi mostra que, neste momento do mercado brasileiro, o motor do crescimento é outro: a frequência com que o mesmo cliente volta a comprar. Isso é um problema de retenção e relacionamento, não de aquisição.
Isso muda a lógica de investimento. Uma empresa que joga todo o orçamento em tráfego pago para atrair gente nova, sem cuidar do que acontece depois da primeira compra, está otimizando a alavanca errada num mercado que está crescendo pela recompra. O contrário também é verdade: negócios que constroem um relacionamento contínuo com a base de clientes, via e-mail, WhatsApp ou conteúdo, tendem a capturar uma fatia maior desse crescimento sem precisar pagar por cada nova visita.
Há também um alerta operacional escondido nos dados. Léo Bicalho, head da Neotrust, observou que o aumento da frequência de compras eleva a complexidade da operação: mais separação, mais embalagem, mais entrega, mais atendimento, mais gestão de trocas. Para uma PME, isso significa que marketing e operação deixam de ser áreas separadas. Uma promessa de entrega não cumprida ou um atendimento pós-venda ruim anula, na prática, todo o investimento feito para trazer aquele cliente de volta.
O comportamento por categoria também ensina algo específico. Produtos ligados a datas e momentos culturais, como a camisa da seleção, tiveram picos de participação muito acima da média histórica. Isso mostra que calendário e contexto continuam pesando mais do que preço isolado na decisão de compra, algo que pequenas empresas costumam subestimar ao planejar campanhas só em torno de descontos.
Como colocar a recompra no centro do acompanhamento mensal
- Troque o tíquete médio pela frequência de recompra como métrica principal de acompanhamento mensal.
- Monte um fluxo automatizado de pós-venda e recompra, combinando e-mail e WhatsApp, em vez de depender só de campanhas de aquisição.
- Trate atendimento, prazo de entrega e política de troca como parte do orçamento de marketing, não como custo operacional separado.
- Planeje com antecedência os picos sazonais do seu setor, reservando verba de mídia paga para essas janelas específicas.
- Segmente sua base por frequência de compra e crie ofertas diferentes para quem compra pela primeira vez e para quem já é cliente recorrente.
Dado bruto de mercado não muda resultado sozinho, quem muda resultado é a empresa que interpreta o dado e ajusta a operação. Neste caso, o recado é direto: parar de tratar recompra como consequência natural de um bom produto e começar a tratar como projeto de marketing, com fluxo, métrica e responsável.
Na Biema, estruturamos esse tipo de fluxo dentro de projetos de e-mail marketing e de geração e qualificação de leads, sempre olhando para o cliente que já comprou, não só para quem ainda não conhece a marca. Marketing sem propósito é só barulho, e um e-commerce que cresce em pedidos precisa de propósito para transformar cada compra na próxima.