Hiperpersonalização com IA: sua empresa já está pronta?

Data de publicação

11 de agosto de 2026

Última atualização

08/17/2026

A ring of many different keys on cream stone, one key anodised burnt orange

Em menos de uma hora, dá para sair de um teste com uma base de maquiagem feita sob medida para o tom exato da própria pele. Em outra experiência da mesma marca, um chatbot conversa sobre memórias e sensações antes de misturar até três perfumes exclusivos a partir de 54 acordes olfativos. A Natura começou a testar as duas coisas em agosto, dentro de um sandbox regulatório aprovado pela Anvisa, e o exercício vale menos pelo produto em si do que pelo tipo de decisão de marketing que ele revela.

O que a Natura está testando com inteligência artificial?

A marca colocou no ar dois experimentos de hiperpersonalização. Um chatbot com inteligência artificial pergunta ao consumidor sobre preferências, memórias e sensações antes de indicar uma fragrância, e uma máquina combina até três perfumes exclusivos a partir de uma paleta de 54 acordes olfativos. Em paralelo, outra máquina cria bases de maquiagem personalizadas conforme o tom e o subtom da pele em menos de uma hora, sob a linha Natura Una. Os testes foram aprovados no início da semana dentro do sandbox regulatório da Anvisa, com previsão de rodar por cerca de um ano. Quem comanda a iniciativa é Tatiana Ponce, CMO e head de inovação da Natura e Avon, e o objetivo declarado é reunir aprendizado técnico para regulamentação futura e para levar a hiperpersonalização ao varejo físico. O detalhe que costuma passar batido é o motivo de a experiência precisar de um sandbox regulatório da Anvisa: não é só uma questão de licença sanitária para misturar substâncias em loja, é reconhecimento de que o dado coletado ali, sobre preferência e reação individual do consumidor, também precisa de regra clara. Marketing de dado e regulação estão andando juntos, e isso vale para qualquer setor que trabalhe com informação sensível de cliente, não só cosmético.

Isso é lançamento de produto ou é estratégia de dado?

A leitura mais simples é tratar isso como novidade de prateleira. A leitura que interessa para quem faz marketing é outra: cada conversa com o chatbot gera um dado estruturado de preferência que uma marca de massa normalmente nunca coleta no ponto de venda. Não é personalização de vitrine, é captura de informação com consentimento, no momento em que o cliente está mais disposto a falar sobre si. Tatiana Ponce resumiu o motivo por trás do investimento: “a personalização representa uma das maiores transformações da indústria da beleza nas últimas décadas“, disse a executiva à Meio & Mensagem. O ponto não é a máquina de perfume. É o CRM que nasce atrás dela.

Empresa pequena sem verba para máquina de perfume também personaliza?

Essa é a pergunta que costuma travar dono de PME diante de uma notícia dessas: isso é papo de multinacional com orçamento de inovação, não tem nada a ver com o meu negócio. A resposta é que o hardware é só a parte visível. O que sustenta o experimento da Natura é disciplina de dado: perguntar a coisa certa, no momento certo, e usar a resposta depois. Isso qualquer empresa B2B faz sem sandbox regulatório e sem máquina nenhuma, desde que pare de tratar cada lead como se fosse igual ao anterior. O erro mais comum não é a falta de tecnologia, é a falta de pergunta certa: a maioria dos formulários de contato de site B2B pede nome, empresa e telefone, e para por aí. Nenhum desses três campos ajuda a equipe de vendas a personalizar a próxima ligação. O que muda o resultado é perguntar sobre o problema que trouxe o visitante até ali, não sobre quem ele é.

Por onde começar a personalizar sem virar um laboratório de tecnologia?

O erro mais comum é coletar dado demais e usar dado de menos. Um formulário longo, com quinze campos, que depois vira planilha esquecida, não personaliza nada. O caminho prático é mais estreito e mais disciplinado:

  • Definir de três a cinco informações que realmente mudam a proposta comercial, não o que é só curiosidade.
  • Perguntar isso já na primeira conversa, seja formulário do site ou troca no WhatsApp.
  • Usar essa resposta para segmentar e-mail e follow-up, em vez de arquivar em planilha.
  • Revisar a cada trimestre se o dado coletado está mesmo influenciando alguma decisão comercial.

Quando esses quatro pontos funcionam juntos, o CRM deixa de ser um repositório de contatos e passa a orientar qual argumento usar com qual cliente, que é exatamente o que a Natura está testando em escala industrial. A diferença entre a marca de cosmético e a PME B2B não é a ambição, é o tamanho do experimento. Empresas que já organizam essa base costumam ter mais facilidade para tirar proveito de uma operação estruturada de RD Station ou de uma rotina de e-mail marketing segmentado, porque o dado que entra é bom desde o início. Vale menos investir em ferramenta nova e mais em arrumar a pergunta que sua equipe faz para cada lead novo.

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