Evento de negócios gera venda ou só contato? O caso SP2B

Data de publicação

4 de agosto de 2026

Última atualização

08/17/2026

A stack of blank cream business cards on a table, one card pulled out and printed burnt orange

O dono de uma indústria metalúrgica separa um dia inteiro, paga inscrição, viagem e hospedagem, e volta de um grande evento de negócios com uma pilha de cartões de visita. Duas semanas depois, ninguém daquela pilha respondeu ao WhatsApp. O evento foi ótimo. O funil, não.

Essa cena se repete todo ano, e vai se repetir de novo entre 9 e 16 de agosto, quando o Parque Ibirapuera, em São Paulo, recebe o SP2B, festival de inovação que promete reunir 500 mil pessoas em mais de 750 painéis. A organização é da Da20, liderada por Rafael Lazarini, e a lista de participantes inclui LinkedIn, Accenture Song e Brasilprev, além de nomes como a psicoterapeuta Esther Perel e o ex-presidente do Cirque du Soleil, Daniel Lamarre, segundo cobertura da Exame.

O SP2B e a aposta de São Paulo em conectar negócios e cultura

O festival promete oito dias de programação sobre inteligência artificial, futuro do trabalho, comportamento e desenvolvimento urbano, com parte da grade aberta ao público e ingressos vendidos pela Ticketmaster para o restante. Há inclusive um dia dedicado a microempreendedores, o que sinaliza que o evento não fala só com corporações grandes.

Para quem dirige uma PME B2B, a pergunta não é se vale a pena ir. É o que fazer depois que voltar para o escritório.

Quem sai do evento só com cartões de visita

O primeiro cenário é o mais comum. O empresário participa, troca contatos, tira fotos, sente que fez networking e volta animado. O problema aparece na segunda-feira seguinte: os cartões ficam numa gaveta, ou numa lista dispersa de contatos no celular, sem nenhum critério sobre quem era decisor, quem era curioso e quem era concorrente.

Sem um processo, o calor do evento se apaga em poucos dias. O contato que parecia promissor esfria, e quando alguém finalmente manda uma mensagem, meses depois, o interlocutor já nem lembra da conversa. O investimento em inscrição, deslocamento e tempo fora da empresa não gera retorno mensurável, porque nunca existiu um funil por trás do encontro.

O agravante é que esse dono de empresa costuma repetir o mesmo padrão no ano seguinte, indo a outro evento parecido na esperança de que dessa vez seja diferente. Sem mudar o processo depois do evento, o resultado tende a se repetir: contatos acumulados, poucos convertidos em reunião, e nenhuma forma clara de saber quanto daquele investimento voltou em receita.

Quem transforma contato de evento em oportunidade no CRM

O segundo cenário parte da mesma feira, dos mesmos cartões, mas com um processo definido antes mesmo de embarcar para São Paulo. Funciona assim:

  • Cada contato relevante entra no CRM ainda no mesmo dia, com nota sobre o que foi conversado.
  • Um critério simples separa quem é lead qualificado, quem é parceiro em potencial e quem é só contato de cortesia.
  • Uma mensagem de follow-up sai pelo WhatsApp em até 48 horas, citando a conversa específica que houve no evento.
  • O lead entra num fluxo de nutrição automatizado, com conteúdo relevante para o estágio de decisão em que está.
  • Depois de duas ou três semanas, um vendedor humano assume a conversa que a automação já aqueceu.

Nenhum desses passos depende de orçamento grande. Depende de rotina e de uma ferramenta que sustente o processo, como uma implementação de RD CRM conectada a automação de WhatsApp. A diferença entre esse dono de empresa e o do primeiro cenário não é o evento que os dois frequentaram, é o que cada um fez na semana seguinte.

Vale reforçar um ponto que passa batido: nem todo contato feito num festival de 500 mil pessoas é um lead. Boa parte é curiosidade, estudante, concorrente disfarçado de interessado. Separar isso logo no primeiro contato evita que o time comercial gaste semana tratando como prioridade alguém que nunca vai comprar, enquanto o decisor de verdade, que também trocou cartão naquele mesmo corredor, esfria esperando retorno.

Para qual desses dois donos de empresa o SP2B realmente vale o ingresso

Evento de negócios serve para abrir porta, não para fechar venda. Quem vai a um festival como o SP2B esperando pedido assinado no local costuma sair frustrado. Quem vai esperando abrir um número maior de conversas qualificadas, já com um lugar estruturado para colocar essas conversas para maturar, tende a considerar o investimento justificado meses depois, quando o negócio realmente fecha.

Antes de comprar o ingresso para o próximo grande evento do setor, vale a pergunta inversa de sempre: existe hoje, na empresa, um processo pronto para receber e cuidar do que aquele evento vai gerar? Se a resposta for não, o problema não está no evento.

Uma forma simples de tirar a decisão do campo do achismo é colocar os dois cenários na ponta do lápis. Some quanto custou a inscrição, a viagem, a hospedagem e as horas fora da empresa, e compare com o valor de uma venda média do seu negócio. Uma calculadora de CAC e LTV ajuda a enxergar, em números, se aquele festival de agosto está sendo custo ou investimento.

plugins premium WordPress