Marca mais escolhida cresce por presença, não fidelidade

Data de publicação

4 de agosto de 2026

Última atualização

08/17/2026

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Setenta e oito por cento das cinquenta marcas mais fortes do Brasil cresceram apoiadas quase inteiramente em um único fator: presença. Não em amor de marca, não em fidelidade, não em campanha premiada. Presença, no maior número possível de lares.

É o que mostra o Brand Footprint Brasil 2026, estudo da Worldpanel by Numerator destacado pela Meio & Mensagem. Coca-Cola segue na liderança desde 2013, seguida por Ypê e Perdigão. Sadia aparece em quarto lugar, Seara em quinto, Italac em sexto, Colgate em sétimo e Aurora em décimo.

O ranking é sobre bens de consumo de massa, mas a lógica que ele revela vale para qualquer negócio que dependa de ser escolhido, inclusive uma indústria ou uma prestadora de serviços que vende para outras empresas. O detalhe que costuma passar batido é justamente esse: o que faz uma marca subir no ranking não é o quanto ela é amada por quem já compra, é quanta gente nova ela consegue alcançar.

Brand Footprint Brasil 2026: Coca-Cola, Ypê e Perdigão no topo

O levantamento usa uma métrica chamada Consumer Reach Point, o CRP, que combina dois números: quantos lares compram a marca e com que frequência isso acontece. A base é robusta, mais de 11.300 domicílios pesquisados em sete regiões do país, cobrindo 82% da população domiciliar brasileira.

Das 400 marcas analisadas, 238 registraram aumento de CRP no período. Desse grupo, 217 tiveram esse crescimento impulsionado pelas classes C, D e E, o que já diz muita coisa sobre onde está o motor de consumo no Brasil de 2026.

Por que penetração pesa mais do que frequência de compra

Essa lógica não é exclusividade do Brand Footprint. Há décadas, pesquisas de comportamento de compra mostram que marcas crescem primeiro por estarem disponíveis, na mente e na prateleira, do maior número possível de compradores, e só depois por conquistar a lealdade profunda de um grupo pequeno. O estudo de 2026 apenas confirma essa regra com números atualizados do mercado brasileiro.

O que mede o Consumer Reach Point

O CRP não pergunta quanto essa marca vendeu, pergunta para quantas pessoas essa marca chegou e quantas vezes. É uma diferença sutil que muda a estratégia por completo. Uma marca pode ter clientes apaixonados e, mesmo assim, perder posições no ranking, se esses clientes forem poucos.

O impulso das classes C, D e E

O estudo mostra que 71% das marcas analisadas cresceram apenas por ganho de penetração, sem depender de aumento na frequência de compra dos clientes que já tinham. Entre as 50 maiores, esse percentual sobe para 78%. Na prática, quem cresceu em 2026 cresceu abrindo porta nova, não vendendo mais para quem já estava dentro.

O que uma PME B2B aprende com marcas que ganham espaço, não só clientes fiéis

O erro comum de quem vende para empresas é investir energia quase só em quem já compra: manter a carteira feliz, evitar cancelamento, tentar upsell. Isso importa, mas o Brand Footprint mostra o outro lado da equação, que costuma ficar esquecido: quantas empresas novas sabem que a sua existe.

O avanço de marcas como Natura, que subiu 17 posições, Nivea, que subiu 13, e Dove, que subiu 12, aconteceu por ampliação de alcance, não por aprofundamento de relação com quem já comprava. Já Fanta, Quero e Omo recuaram justamente porque perderam presença: caíram 18, 17 e 16 posições, respectivamente.

Para uma empresa B2B, isso se traduz numa pergunta simples: quantos decisores de compra no seu mercado sabem que a sua empresa resolve o problema deles? Se a resposta for só quem já é cliente, a base de crescimento é curta demais para sustentar qualquer meta de vendas do ano seguinte.

Uma estratégia de marketing de conteúdo bem construída, associada a um processo de geração e qualificação de leads, funciona como o equivalente B2B de ganhar penetração: leva a marca para dentro de decisores que ainda não sabem que precisam dela, em vez de girar sempre em torno de quem já compra.

Na prática, isso significa medir mais do que a satisfação da carteira atual. Vale acompanhar quantas empresas novas chegam a um site, preenchem um formulário ou pedem uma proposta pela primeira vez em cada mês. Se esse número está estagnado enquanto o time comercial só trabalha oportunidades antigas, o problema não é a equipe de vendas, é a falta de um motor constante de novas entradas no funil.

Vale lembrar também que penetração não é sinônimo de dispersão. As marcas que mais subiram no ranking continuaram vendendo o mesmo produto, para o mesmo tipo de consumidor, só que para mais gente desse tipo. Para uma PME B2B, isso reforça um ponto que costuma ser ignorado na pressa de crescer: antes de tentar alcançar todo tipo de empresa, vale mapear bem qual é o perfil de cliente ideal e então buscar mais unidades exatamente desse perfil, não qualquer empresa disposta a atender uma ligação.

Antes de aumentar o orçamento de mídia ou reforçar o relacionamento com a carteira atual, vale medir o alcance real da marca fora dela. É nesse ponto, alcance, não fidelidade, que mora o crescimento que o ranking de 2026 está mostrando.

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