A publicidade com criadores de conteúdo cresce mais rápido do que qualquer outra frente de mídia, mas o crescimento trouxe um problema que a maioria das marcas ainda não resolveu: como garantir que o conteúdo feito por alguém de fora da empresa não vire um risco para a própria empresa. Um relatório do IAB mostra que o investimento em publicidade com creators nos Estados Unidos cresce quatro vezes mais rápido que o resto da indústria de mídia.
Por que brand safety virou pauta na publicidade com criadores
Segundo reportagem da Exame, assinada por Miriam Shirley, presidente da BrandLovers no Brasil, o mercado de publicidade com criadores vive um momento de expansão acelerada. O relatório do IAB citado no texto aponta que o investimento em creator advertising nos Estados Unidos cresce quatro vezes mais rápido que a indústria de mídia como um todo, e quase metade dos anunciantes já trata os creators como canal indispensável dentro dos planos de mídia.
O texto explica o motivo dessa corrida: não falta espaço publicitário, falta atenção do público. “Espaço nunca faltou. O que se tornou escasso foi a atenção das pessoas”, resume a autora.
Junto com o crescimento, aparece um problema operacional: como garantir brand safety em conteúdo que não é produzido nem revisado internamente pela marca. A reportagem cita a Guardian, tecnologia de inteligência artificial que analisa imagem, vídeo, áudio e legenda antes da publicação para verificar aderência às diretrizes de marca, e menciona o conceito de “organic to paid”: conteúdo criado para redes orgânicas sendo transformado em ativo de mídia paga depois de performar bem, o que muda completamente o nível de exigência sobre aquele material. A reportagem também aponta as três principais barreiras que travam a adoção do modelo: encontrar o criador certo, criar padrão operacional para as parcerias e medir resultado de forma confiável.
Oportunidade e risco: as duas leituras para uma PME
Para uma pequena ou média empresa, esse movimento tem duas leituras. A primeira é oportunidade: criadores nichados, com audiência menor mas mais engajada, custam menos que uma campanha tradicional de mídia e entregam algo que anúncio nenhum entrega sozinho, credibilidade emprestada de quem já tem a confiança daquele público. A segunda leitura é risco, e é a que a maioria das PMEs ainda ignora.
Quando uma marca contrata um criador sem processo, ela está terceirizando parte da sua comunicação para alguém fora do controle editorial da empresa. Isso é tolerável enquanto o conteúdo circula de forma orgânica, com alcance limitado ao público que já segue aquele criador. O problema aparece quando esse mesmo conteúdo performa bem e alguém decide impulsioná-lo como anúncio, o que a reportagem chama de “organic to paid”. Nesse momento, um vídeo gravado sem roteiro, sem revisão prévia e sem qualquer checagem de diretrizes de marca passa a representar a empresa como se fosse uma peça publicitária oficial, vista por muito mais gente do que o criador alcançaria sozinho.
Empresas grandes resolvem isso com tecnologia. Ferramentas como a Guardian, citada na reportagem, analisam automaticamente imagem, áudio e legenda antes de qualquer publicação. A PME não tem esse orçamento, mas tem uma alternativa mais barata e igualmente eficaz: brief por escrito, aprovação prévia de roteiro ou pauta, e um checklist simples do que pode e do que não pode aparecer perto da marca. O erro mais comum não é falta de dinheiro, é falta de processo, e processo é algo que qualquer empresa, do tamanho que for, consegue criar em uma tarde.
As três barreiras citadas na reportagem, encontrar o criador certo, padronizar a operação e medir resultado, são exatamente as três dores que aparecem quando conversamos com donos de PME que tentam trabalhar com influenciadores locais ou de nicho. Eles não sabem como escolher, não têm processo de aprovação, e não conseguem provar depois se aquele investimento trouxe retorno real além de curtidas.
O checklist que precede qualquer parceria com criador
- Defina por escrito, antes de fechar com qualquer criador, um checklist simples de brand safety: o que pode e o que não pode aparecer perto da sua marca.
- Priorize criadores de nicho com audiência alinhada ao seu público, mesmo que pequena; alcance sem relevância raramente vira venda.
- Peça aprovação prévia de roteiro ou pauta antes da gravação, principalmente se houver intenção de usar o conteúdo como mídia paga depois.
- Trate todo conteúdo com potencial de impulsionamento como se já fosse uma peça publicitária: revise como revisaria um anúncio, não como aprovaria um post qualquer.
- Meça pelo menos uma métrica de atenção além de curtida e visualização, como taxa de conclusão do vídeo ou tempo de permanência, para saber se o criador realmente prende quem assiste.
Marketing sem propósito é só barulho, e isso vale tanto para uma campanha de mídia paga quanto para uma parceria com criador de conteúdo. Antes de aumentar o investimento em creators, vale revisar se a sua empresa já tem um processo de marketing de conteúdo minimamente estruturado, porque é esse processo que vai dizer se um vídeo de criador deve virar mídia paga ou permanecer apenas no orgânico. A Biema não faz posts. Faz marcas crescerem, com processo e critério, não com sorte.