Marca cai para 10% na decisão de compra: o que pesa mais

Data de publicação

9 de outubro de 2026

Última atualização

10/09/2026

Frasco de vidro com rótulo de papel parcialmente removido, ao lado de uma etiqueta de preço em branco amarrada com barbante, sobre mesa de madeira com luz natural

Numa gôndola de farmácia ou na tela de um e-commerce, o consumidor de beleza decide em poucos segundos qual produto vai para o carrinho. Uma pesquisa divulgada nesta semana mostra o que pesa nesse segundo de decisão, e o nome estampado no rótulo não está no topo da lista.

A Valometry, em parceria com o Brazil Panels, ouviu 1.113 consumidores brasileiros de produtos de beleza e cuidados pessoais em agosto de 2026 para o estudo Branding Brasil Segmentos. O resultado reorganiza a lista de prioridades que qualquer time de marca gostaria de ver diferente.

Produto, preço e recomendação ficam na frente da marca na beleza

Entre os fatores que decidem a compra de beleza e cuidados pessoais, a pesquisa encontrou esta ordem:

  • Produto: 33%
  • Preço: 22%
  • Recomendação: 20%
  • Critérios ESG: 16%
  • Marca: 10%

A marca aparece em último lugar. A Meio & Mensagem resume o achado numa frase direta: “a marca é o critério menos importante na hora da compra”. Produto e preço lideram porque respondem a uma pergunta prática, se funciona e se cabe no orçamento, enquanto marca responde a uma pergunta mais abstrata, em quem confiar. E abstrato perde para concreto quando o consumidor já está com o produto na mão.

Recomendação em terceiro lugar confirma algo que o time de mídia paga já sentia na prática: o anúncio abre a porta, mas quem empurra a compra é o comentário de quem já usou. A pesquisa reforça isso ao perguntar onde o consumidor descobre produtos novos. Influenciadores lideram essa descoberta, com 32% das menções, mas na hora de confiar numa recomendação perdem para dermatologistas e para amigos. Descoberta e confiança são etapas diferentes do funil, e confundir uma com a outra é onde a verba de marca costuma se perder.

A pesquisa também quebra o critério por faixa de idade, e aí a ordem muda de novo. Entre 18 e 34 anos, ESG pesa 18% na decisão, quase o dobro do peso que a marca tem no total geral. Já entre 50 e 59 anos, o preço é o fator que mais importa, com 25%. Não existe um comprador médio de beleza: existem pelo menos dois, com prioridade diferente, e campanha pensada para agradar os dois ao mesmo tempo corre o risco de não convencer nenhum.

Por que a desconfiança do consumidor também é um dado de mercado

O estudo traz outro número que ajuda a explicar a queda da marca: 68% dos entrevistados desconfiam das informações sobre ingredientes fornecidas pelas próprias marcas. Não é desconhecimento do produto, é ceticismo deliberado com quem fala sobre o próprio produto.

Esse ceticismo aparece de novo na pergunta sobre sustentabilidade. 39% dizem que pagariam até 20% mais por um produto sustentável, mas só 17% afirmam já ter feito isso na prática. A distância entre intenção declarada e compra real é grande, e 14% dos entrevistados já deixaram de comprar de uma marca por alguma prática que desaprovam. Para uma PME B2B que vende insumo, equipamento ou serviço para essas mesmas marcas de beleza, o recado chega direto: o cliente final está mais exigente com prova, e essa exigência sobe a cadeia até o fornecedor.

O ponto de venda físico ainda é o canal mais citado na jornada de compra, com 58% das menções, contra 27% do digital. Mas há um número menor que aponta para onde a próxima rodada da pesquisa deve mudar: 23% dos entrevistados já usam algum assistente de inteligência artificial para pesquisar ou escolher produto antes de decidir. É minoria hoje. Dentro de dois ou três ciclos de pesquisa, deixa de ser ruído de pesquisa e passa a ser canal que entra na conta de mídia.

O que a queda da marca como critério muda na proposta da PME B2B

Ninguém decide compra B2B lendo post de influenciador, mas o mecanismo por trás do ranking da Valometry é o mesmo que decide uma cotação entre fornecedores. Produto, preço e recomendação também lideram ali, só que com outros nomes: especificação técnica, custo total no primeiro ano e case de cliente parecido com quem está comprando.

O erro comum de PME B2B é inverter essa ordem dentro da própria proposta comercial: abrir com institucional da empresa, posicionamento de marca e missão, e deixar especificação técnica e prova de entrega para o anexo. É gastar a primeira página com o critério que pesa 10% na pesquisa e empurrar os três primeiros critérios para depois. Quem recebe a proposta já está com a planilha de comparação aberta, e planilha não tem campo para missão.

A recomendação que lidera com 20% entre consumidores de beleza tem equivalente direto em geração de leads B2B: case de cliente, prova social e indicação pesam mais do que qualquer texto institucional sobre a empresa que vende. Documentar esse tipo de prova, em vez de só repetir posicionamento de marca, é trabalho de marketing de conteúdo bem feito: dado de entrega, resultado do cliente anterior, prazo cumprido. E o critério ESG, que já pesa 16% até na compra de hidratante, vem subindo também no processo de compra B2B, puxado por exigência de compliance de clientes maiores.

A pergunta que fica antes de aumentar o investimento em marca

Antes de aprovar mais verba para fortalecer marca, vale uma pergunta simples: o material que a empresa está prestes a produzir ajuda o comprador a comparar produto, preço e prova, ou só reforça um nome que ele já conhece? Beleza e vendas B2B são mercados diferentes, mas os dois têm o mesmo comprador por trás: alguém que decide por critério concreto primeiro, e só confia na marca depois de já ter decidido pelo resto.

plugins premium WordPress